Em nota divulgada, a Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais diz ser lamentável a falta de parceria da Petrobras com seus antigos parceiros como é a indústria de suplementos
No último dia 02 de abril, a Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais – ASBRAM tornou pública uma nota onde demonstrou sua indignação e preocupação com a decisão da Petrobrás em fechar as Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados dos Estados da Bahia e Sergipe.
“Essa gigante brasileira, cuja sociedade é anônima e de capital aberto, que atua de forma integrada e especializada na indústria de óleo, gás natural e energia e possui presença global em 19 países anunciou, de forma abrupta aos mais de 700 colaboradores – diretos o fechamento de duas unidades das suas principais operações: Fafen/BA e Fafen/SE”. (ASBRAM)
De acordo com a estatal, a decisão de encerrar as atividades produtivas da Fafen-BA se deve às perspectivas de perdas da Petrobras com esta operação. Em 2017, a Fafen-BA apresentou resultado negativo de cerca de R$ 200 milhões. Em entrevista à imprensa aberta, a Petrobras também coloca que o “País já importa 85% da demanda nacional por fertilizantes”, o que nos leva a concluir que não haveria problema de suprir totalmente o mercado com importações.
“Nós da ASBRAM refutamos essa posição. O país, sua agricultura e sua indústria, não podem ficar dependentes 100% de importações de produtos tão estratégicos, além do que o uso da ureia pecuária, que como o próprio nome diz, é usado por empresas produtoras de suplementos, que quase não tem acesso às importações, já que são abastecidas por produtores locais”, pontuou o presidente da ASBRAM, Ademar Leal.
Segundo dados do mercado, as duas unidades de fertilizantes da Petrobras possuem capacidade de produção conjunta de 36,3 mil toneladas de ácido nítrico, quase 1 milhão de toneladas de amônia e umas 800 mil toneladas de ureia em 2017, (vide quadro abaixo), sem contar outros produtos derivados do próprio processo, como dióxido de carbono, sulfato de amônio e ARLA (ureia diluída, utilizada para redução das emissões de NOx -Agente Redutor Liquido de Óxido de Nitrogênio Automotivo- nos caminhões que utilizam diesel).
Local de produção |
Agrícolas - tons |
Outros -tons |
Total – tons |
Sul (Araucária) |
66.021 |
91.104 |
157.125 |
Norte (Laranjeiras – Camaçari) |
498.744 |
177.884 |
679.628 |
Brasil/Total |
564.765 |
271.988 |
836.753 |
Para a ASBRAM, a Petrobrás tem todo o direito de decidir sobre as operações das unidades de negócios que estão sob sua gestão e sua propriedade. “Esse direito inclui alienar e até paralisar seus ativos, desde que haja previamente um acordo com clientes e fornecedores, que possuem contratos com a estatal, que incluem penalidades financeiras em caso de não cumprimentos dessas obrigações. Além disso, entendemos ainda que a Petrobras, por ser Agente dominante, não tem a prerrogativa de tomada de decisões intempestivas e que podem causar enormes danos às empresas clientes, de diversas cadeias industriais, fornecedores e à comunidade de um modo geral”, argumenta Leal.
O processo da Fafen caminha sob avaliação e promete render ainda muitas discussões. Em reunião no Congresso Nacional no dia 27 de março, o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, após pressão, mobilização e articulação política do Sindipetro Bahia e da FUP, anunciou a suspensão do fechamento das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia e de Sergipe. A medida deve durar por pelo menos 120 dias, a contar a partir de 30/06/2018. Durante esse período, um Grupo de Trabalho (GT) formado por representantes da Petrobrás, da FIEB, da FIES, dos Governos Estaduais da Bahia e de Sergipe, além de representantes dos trabalhadores, deve buscar alternativas que viabilizem a manutenção das fábricas em operação.
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Fonte - Sindipetro Bahia (Com informações da ASBRAM)